
Ele estava furioso. E com razão.
Eu só não entendia porque Louis decidira contar justamente agora para Liam que eu estava grávida. Agora que Zayn havia decidido que eu moraria junto com ele, agora que ele queria assumir plenamente a paternidade.
Eu tinha sido tão cruel assim para merecer tamanha injustiça? Esse era o meu pagamento por ter traído Liam? Ter todo esse drama jogado contra mim era o meu retorno? Karma era uma coisa assustadora, mesmo.
- Não vai dizer nada, (s/n)? Não tem nada a me dizer?
A sua voz era um rosnar cheio de raiva e traição. E eu me culpei por ver, novamente, aquele brilho nos seus olhos.
- Liam, eu... eu... iria te contar. Me desculpe.
- Ia me contar quando? Quando essa criança nascesse?
Eu abaixei a cabeça sabendo que, na verdade, eu não contaria nada a ninguém, se dependesse de mim. Eu criaria o meu filho sozinha. Era esse o meu plano inicial, mas Louis Tomlinson era um fofoqueiro maldito e estragara todo o meu planejamento.
- Não era assim, Liam. Eu juro.
- Não?
Liam deu dois passos tremendamente ameaçadores para frente e se deixou me olhar nos olhos.
Aqueles brilhantes olhos cor de chocolate pareciam faiscar a raiva e o ódio, mas não podia me deixar intimidar.
- Você me traiu, me dispensou e ainda me esconde que está esperando um filho meu. Me pergunto como pude confiar em você, (s/n). Como pude?
- Liam, eu sinto muito.
E eu realmente sentia. Se eu tivesse me controlado, se eu nem ao menos tivesse saído de casa naquela tarde, as coisas seriam diferentes. Eu ainda estaria com Liam, eu não teria todo esse drama e pressão sobre mim. Eu não estaria carregando um filho sem pai.
- Não sente. Você nunca sente. Era esse o seu intuito, (s/n)? Me fazer perder o controle? Me fazer rastejar atrás de você até que ache que é o bastante? – ele apertava o meu braço com ainda mais força, mas ainda assim não me desvencilhei. Por mais que eu amasse Liam, o lado negro dele exercia algo sobre mim que eu ainda não era capaz de entender. Era bom. Me atraía e excitava. E saber que eu era uma das únicas que o despertava, me fazia sentir um prazer indescritível. Uma parcela de culpa, também, mas na maior parte era apenas excitação.
- Essa criança é minha, não é? – Liam sacudiu meu corpo. – É minha?
Eu não respondi. Não podia. Aquela era uma pergunta para a qual ainda não havia resposta.
- Eu não sei, Liam. Eu... eu... Sinto muito. Não sei.
Ele inclinou a cabeça até seus lábios ficarem a milímetros dos meus. Parecia ainda mais ameaçador. Mais furioso e o ódio fazia o seu olhar castanho ficar ainda mais escuro. Eu podia ver o desejo brilhando ali também. Mas não me atrevi a me mover. A chave caiu de minhas mãos, trêmulas e sem saída, deixei que a minha bolsa fizesse o mesmo, fazendo um barulho abafado quando caiu no tapete da entrada.
Liam estava me provocando, mantendo os seus lábios selados, mas à milímetros dos meus. Ele sabia o quanto os lábios dele eram capazes de me tentar. Liam me conhecia.
- Não me importa o que sabe ou não. Eu já decidi como as coisas serão a partir de agora.
- Liam...
- Zayn não vai tomar o que me pertence, (s/n). E você me pertence.
A sua boca esmagou a minha e eu perdi o controle. Não da mesma forma que acontecia com Zayn. Mas eu não saberia colocar em palavras se melhor ou pior. Apenas diferente. Mas igualmente intenso e descontrolado. Levando o meu bom senso com os movimentos de sua língua, tomando a minha sanidade com o toque macio da sua boca. Seus dentes mordiam de leve o meu lábio e aquilo me deixava ainda mais necessitada de mais.
Não eram os hormônios da gravidez clamando. Era o meu corpo. Ele sempre reagira da mesma forma à Liam, e quando ele deixava o seu lado selvagem e feroz fugir do seu controle, como uma personalidade doentia da qual ele era refém, às vezes, o meu corpo não deixava espaço para minha mente. Não deixava espaço para nada que não fosse o corpo de Liam, se encaixando, preenchendo.
Tomando.
E eu daria tudo a ele. Sempre. Porque eu o amava.
- Você me pertence. Essa criança me pertence, (s/n). Tudo o que é relacionado à você é de minha posse. E eu não estou disposto a abrir mão disso, nem para ninguém, nem por ninguém, entendeu? Assenti e senti a mão de Liam se emaranhar em meu cabelo, enrolando em sua mão, puxando-o de leve enquanto a sua boca sussurrava coisas possessivas contra a minha.
- A quem você pertence, (s/n)? Quem te possui?
Sussurrei o nome de Liam, mas aquilo não o satisfez. Disse mais alto. Mas não o satisfiz. Ele puxou meu cabelo e mordeu o meu lábio antes de ordenar que eu gritasse o seu nome, que eu dissesse em alto e bom som quem era o homem a quem eu amava, a quem eu pertencia.
E não tive dúvidas de que nome gritar.
Eu pertencia a Liam. Sempre pertencera.
Mas não tinha mais certeza disso.
A imagem de Zayn e a maneira como ele segurara a minha mão na cafeteria fizeram a minha vista nublar e, sem querer, eu dei alguns passos para trás, me afastando de Liam.
- O que houve? – ele perguntou.
Ele parecia genuinamente preocupado, mas não era inteiramente o antigo Liam.
- Zayn. Houve que eu não posso fazer isso com vocês dois. Eu não tenho certeza de nada no momento, e tomar qualquer decisão agora pode ser precipitado. Não posso...
A outra mão de Liam, a que não segurava meu cabelo num aperto dolorido, segurou meu queixo, puxando o meu rosto para cima, fazendo com que meu olhar encontrasse o dele e de uma forma que eu nunca seria capaz de compreender, ele leu a verdade ali.
- Você o deseja.
A raiva que assolou Liam foi como uma corrente elétrica, passou pelo meu corpo inteiro e eriçou meus pelos, fazendo o medo gelar a minha espinha.
- Ele tentou te convencer com um beijo, não foi? - pela minha expressão assustada sobre como ele havia conseguido tal informação, eu havia dado uma bela confirmação para Liam do que havia acontecido. - Típico de Zayn. Um beijo para ganhar o que ele quer. Mas eu já te alertei, (s/n). Você é minha e ele não irá tirar você de mim.
Virei o rosto, insegura com a determinação em seus olhos e Liam me fez virar para ele novamente. Ele ainda não havia terminado de me clamar como dele.
- Se Zayn quer jogar sujo, eu também sei jogar.
O aperto de Liam suavizou e a sua boca roçou a minha devagar, provocando, mas sem me beijar de verdade. Ele estava tentando me deixar louca e estava conseguindo o seu intuito. O toque da sua boca era tão leve que fazia cócegas em meus lábios. Mas não era o suficiente. Ele queria me provocar mais. Por isso Liam passou a língua delicadamente pelo contorno de meus lábios antes de contornar a lateral de meu rosto até a minha orelha. Sua voz rouca sussurrava coisas sem sentido, mas eu podia distinguir a palavra “minha” por cima dos seus murmúrios.
E eu era realmente dele?
A boca quente e úmida de Liam desceu para o meu pescoço e deu uma sugada lenta que eu tinha certeza de que deixaria uma marca. Suas unhas arranharam o meu ombro enquanto desciam pelos meus braços até segurar as minhas mãos. Seus dentes morderam então uma palma e depois a outra.
Doloridamente.
Entendi, então, qual era o plano de Liam: me deixar marcada.
Marcar o meu corpo da mesma maneira que ele já havia marcado a minha alma. Fazer Zayn se afastar quando visse a inúmera quantidade de marcas roxas em meu pescoço. Fazer Zayn desistir quando visse os arranhões em minha pele. Eu tinha um dono, segundo Liam, e esse dono era ele.
Seus dedos fortes arrancaram a camiseta do meu uniforme da cafeteria e a arremessou para qualquer lugar da sala. O ar frio que entrava pela janela aberta não me afetou em nada. Foi bem vindo, aliás.
Meu corpo estava tão quente que eu sentia poder queimar a pele de Liam, também.
Com um movimento brusco e totalmente inesperado, Liam me pegou no colo e começou a andar pela casa, como se soubesse exatamente o local de cada móvel e aparato, e seguiu para o meu quarto, me colocando na cama com uma gentileza que foi traída no instante seguinte pela maneira como ele me deitou, colocando uma mão em meu ventre enquanto a outra, habilmente, abria o ziper da minha calça jeans.
Minha barriga sentia o carinho lento dos seus dedos, como se acariciasse não apenas à mim, mas ao ser que estava ali dentro também.
Por mais furioso que Liam estivesse comigo por tudo o que eu havia feito, eu tinha a mais plena certeza de que ele já estava amando aquela criança. Tanto quanto Zayn amava. E mesmo que ele não houvesse dito com a mesma clareza com que Zayn dissera, eu sabia que Liam cuidaria daquela criança mesmo que ela não fosse sua.
Minha calça foi arrancada e junto com ela se foram as minhas sapatilhas. Um calçado confortável e prático para alguém que já começava a sentir o cansaço nas pernas, típico da gravidez.
- Sentiu minha falta, (s/n)? O seu corpo sentiu saudades de mim?
.
.
(...hot...)
.
.
- Tudo bem, (s/n)? Eu te machuquei? - ele perguntou, genuinamente preocupado. O meu Liam havia voltado. - Desculpe. Não pretendia ser tão bruto, mas eu fiquei realmente bravo. Sinto muito. Eu dei uma risada fraca. Meus braços e pernas não tinham força. Minha cabeça estava apoiada no ombro de Liam, sem a menor vontade de se mover do confortável local onde eu estava. Exaurida era uma boa palavra para descrever como eu me sentia.
- Eu te amo, (s/n). - ele sussurrou em meu ouvido, ainda sem se mover, provavelmente tão cansado quanto eu. Suas pernas não puderam suportar mais e num movimento rápido, Liam nos jogou na cama, permitindo que eu caísse por cima dele, apoiando a minha cabeça agora em seu peito. - E tenho um presente pra você e pro nosso bebê.
Ele se ergueu, apoiando o corpo no cotovelo e me encarando. O brilho estava de volta aos seus olhos, mas era o brilho amoroso que eu conhecia há tanto tempo. Por mais que ele estivesse bravo antes, agora isso havia abrandado.
A maneira como ele estava tratando a pequena vida dentro de mim como “nosso bebê” era mágica demais para me fazer lembrar de Zayn e de sua proposta. Por que as coisas tinham de ser tão confusas para mim?
Se esticando, Liam estendeu a mão para o meu criado mudo, pegando um pequeno pacote e o colocando diante de mim, que levantei, curiosa, pegando o pacotinho em minhas mãos.
- Minha mãe chegou em Londres hoje. Pedi para que ela trouxesse isso de Wolverhampton para você. Abri com cuidado o papel de embrulho que tinha vários barquinhos coloridos em um fundo amarelo claro e não pude conter o sorriso quando notei o que havia ali dentro.
Um surrado e um tanto sujo ursinho de pelúcia me olhava com olhos brilhantes e cheios de memórias do passado.
- Liam, ele é lindo.
- Sim, e foi o meu melhor companheiro durante toda a minha infância. Toda vez que eu sentia medo, ele esteve ali para me acalmar. Acho que ele seria um bom companheiro pro nosso menino. - Liam sorriu e passou a mão pela minha barriga. - Ou uma menina. Eu adoraria uma filha com esse seu sorriso. - os dedos de Liam agora deslizaram pelos meus lábios.
O meu sorriso aumentou e eu coloquei a cabeça na curva do pescoço de Liam, me colocando confortável para dormir, sentindo o corpo dele se aconchegar contra o meu, me aquecendo e protegendo, enquanto o ursinho estava aninhado contra mim, pressionado contra a minha barriga.
Liam sussurrava coisas em meu ouvido enquanto eu deslizava suavemente para o mundo dos sonhos.
Mas eu ainda podia entender algumas coisas como a última que ele disse antes de eu finalmente fechar os olhos, me rendendo ao sono.
Meu peito ficou leve e eu respirei fundo com a frase de Liam em minha mente, tomando um espaço enorme em meu coração:
- Eu cuidarei de você, (s/n). Nós somos uma família agora.
E assim eu dormi.
Nossaaa! Que confusão!! Com quem que ela vai ficar??? Zayn Ou Liam?? Deixem seus comentarios aqui!! #Rafa
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