sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Nós--- Cap. 3



O celular de Louis tocou e ele me lançou um olhar mortífero. 

- A sua operadora é Vodaphone. Estou apenas testando. 
- (s/n) , ele não quer atender. A operadora está funcionando maravilhosamente bem, obrigado.
Louis era o meu melhor amigo, mas por mais que eu o amasse, escutar dos lábios dele que Liam estava ignorando as minhas ligações de propósito, era mais doloroso do que eu podia suportar.
Eu já aceitara que eu era uma cadela traidora. Já deixara todos os tipos de recados possíveis na secretária eletrônica dele, já tentara tudo o que estava ao meu alcance, ainda assim, Liam estava irredutível. Ele não queria conversar comigo e depois de encontrar todas as minhas coisas em seis caixas, deixadas na porta do apartamento de Louis, onde eu estava ficando por algum tempo, eu percebi que Liam não queria me ver, tampouco.
- Uma hora ele terá de ceder.
Era com isso que eu contava. Que em algum momento Liam se cansasse de me ignorar e percebesse que eu estava arrependida e que o amava mais do amara qualquer outra pessoa.
Louis deu de ombros, indicando, sem usar as suas sempre ferinas palavras, que ele não acreditava que isso aconteceria tão cedo.
Minha casa estava repleta de paparazzi à espera de uma cena minha ou mais informações sobre a separação do ídolo teen Liam Payne. Se eles soubessem que eu havia traído um dos membros do One Direction, com outro, a mídia teria assunto por pelo menos dois meses.
- Zayn ligou. Ele quer pedir desculpas.
Bufei.
Parecia um circulo vicioso. Eu ligava para Liam, que ignorava as minhas ligações, que ignorava as de Zayn.
Mas eu não culpava o tentador Zayn. Eu era tão parte disso quanto ele. Estava bêbada, carente e Zayn era um homem muito bonito para que eu pudesse resistir. Uma coisa levou à outra.
- Eu já o desculpei, só não quero mais falar com ele.
- Você transou com ele, (s/n) , acho que deve pelo menos uma chance de deixá-lo falar. E ele está tentando conversar com você há uma semana - A mesma quantidade de tempo em que eu estava tentando, em vão, falar com Liam. Quando percebeu que não iria mais longe do que aquilo em sua tentativa de me convencer a me entender com Zayn, Louis desistiu. – Preciso ir me encontrar com Harry, vamos fazer compras – ele avisou e assim como eu sabia que faria, ele começou a sua sessão de recomendações, como se eu tivesse apenas oito anos e ele fosse o meu pai. – Não saia de casa, não deixe que os paparazzi descubram onde está, não entre em nenhuma rede social e o mais importante: se cuide.
Eu deixei que Louis se inclinasse para beijar a minha testa e continuei no mesmo lugar, mesmo depois de ouvir o som da porta do apartamento se fechar e ainda depois de ouvir o som do elevador. Apertei o botão de rediscagem e ouvi o som da chamada não se completando. Seis vezes. A secretária atendeu.
- Oi, é o Liam. Payne. Liam Payne. Isso. Deixe o seu recado após o sinal e eu juro que responderei assim que eu puder.
- Sou eu, de novo – eu suspirei. Não havia mais nada para falar do que eu já não tivesse dito em qualquer um dos recados anteriores. – Eu sinto muito. E preciso falar com você. Me liga, me manda uma mensagem. Eu... sinto a sua falta. Me desculpe.
Desliguei, finalizando o recado e escutei o som do elevador. Louis com certeza esquecera alguma coisa. Era bem do feitio dele esquecer as coisas e ter de voltar no meio do caminho. Me perguntava justamente se foram as chaves, as esquecidas de novo, mas não foi a franja castanha clara que eu vi no batente da porta do apartamento.
Eu não consegui dizer nada. As palavras estavam presas em minha garganta e observei-o fechar a porta, se aproximar, me encarando.
Seus olhos estavam fixos nos meus, castanhos, quentes. E eu respirei fundo, tentando acalmar todas as sensações que não deveriam estar dentro de mim, mas que ele despertava de uma forma única.
- Louis te deixou entrar? – tive de perguntar quando fui capaz de recuperar a voz e um tanto de sanidade.
- Nós precisávamos conversar.
- Sobre o quê?
- Sobre nós – exasperou-se. Assim como eu, Zayn não parecia estar em um bom estado. Seu cabelo sempre muito bem penteado, dessa vez estava parecendo oleoso e caído em seu rosto. Os seus olhos tinham duas bolsas negras embaixo dele, denotando algumas noites em claro e suas mãos tremiam enquanto ele segurava seu celular e alguns pertences. – Eu precisava pedir desculpas, (s/n) . Eu nunca quis que Liam terminasse com você dessa forma.
- Eu já te desculpei, Zayn. Não é apenas culpa sua. Eu me deixei levar tanto como você e também estou arrependida pelo que fizemos.
Ele me encarou com ainda mais firmeza do que já vinha fazendo. Meu corpo tremeu, de leve, mostrando que ele gostava da maneira que Zayn falava comigo, da maneira como ele olhava para mim. E isso não era nem um pouco certo. Eu ainda amava Liam.
- Eu não disse que estou arrependido. Em momento algum. Eu disse que não queria que Liam terminasse com você dessa forma. Dolorosamente. Mas nunca disse que não queria ter amado você ou que nunca quis que você visse que tinha uma segunda opção.
- O que está querendo dizer?
As coisas não estavam fazendo sentindo para mim. Aliás, desde que eu vira Liam descer aquelas escadas, nada fazia o mínimo sentido para mim.
- Eu estava apaixonado por você, (s/n) . Sempre estive. Mas aceitava que Liam tinha mais sorte do que eu. Eu o assisti possuir você por todo esse tempo. Eu tive a minha chance. E não a deixei escapar.
- O que aconteceu naquele dia...
- Foi bom. – ele parou ainda mais perto de mim, ajoelhando-se na minha frente até que nossos olhos ficassem na mesma altura, o seu nariz tocando o meu e a sua respiração se misturando com a minha. Se eu me inclinasse, eu poderia beijá-lo. E por mais que eu não devesse, era justamente o que eu queria fazer. – E eu quero que se repita.
- Eu amo Liam.
- E eu amo você.
A boca de Zayn se apossou da minha, sem me dar a mínima chance de recuar e eu me vi, de alguma forma louca, retribuindo o seu beijo num abandono que não fez sentido. Nossas línguas se tocavam, parecendo traçar trilhas de fogo e as mãos de Zayn abandonaram o que seguravam para agarrar o meu rosto, trazendo-me ainda mais perto, acariciando a minha pele com seus dedos morenos e finos, quentes, me fazendo sentir-me amada num momento em que tudo o que eu precisava era de amor. Mas não o amor dele. Eu precisava de Liam.
- Zayn, não podemos...
- Ele te deixou, (s/n) . E tudo o que eu estou te pedindo é uma chance de te fazer mudar de idéia. Uma oportunidade para te dar um pouco do que ele não pode te dar, de te mostrar que as coisas podem ser diferentes. Que não há nada que importe mais do que você.
Seus lábios distribuíam pequenos beijos por todo o meu rosto, acompanhando as suas palavras. O seu calor estava irradiando sobre mim e eu soube que não precisaria de muito mais que aquilo para que eu me deixasse levar.
Zayn sabia como me convencer, ele sabia que aquela era única coisa que eu queria: me sentir mais importante do que qualquer outra coisa.
Liam nunca me fizera sentir-me dessa maneira. Haviam sempre outras duzentas coisas na frente de nosso relacionamento e mais cem outras na frente de nós. Com Zayn o “nós” seria diferente.
E então eu fiz o que parecia mais sensato naquele momento e me deixei ser abraçada com ainda mais firmeza, tendo o corpo recostado no sofá, enquanto o corpo de Zayn, calmamente, se deitava sobre o meu. Ele estava quente e o seu corpo moreno cheirava a uma loção que era tentadora e deliciosa. Eu não tinha como esconder o meu desejo por Zayn. Ele aflorara de vez desde aquela tarde no apartamento e agora eu sabia que era impossível voltar atrás, por mais que eu tentasse.
Eu amava Liam, mas desejava Zayn com a mesma força e intensidade. Talvez até mais.
Os seus beijos traçavam uma diagonal entre meu pescoço e os meus seios e ele parecia ter o completo controle da situação. Eu me rendi, ciente de que não havia mais nada que eu pudesse fazer.
(....)
Ergui uma mão que ainda estava agarrada ao tecido do sofá e toquei o seu rosto suado, sentindo o calor que emanava dele.
Ele repousou o rosto na minha palma e nos acomodou melhor, ficando atrás de mim, beijando o meu pescoço, antes de deitar-se da melhor maneira possível para que pudéssemos dormir.
- Eu te amo, (s/n) .
Eu não tinha uma resposta. Eu amava Liam. Mas as sensações que Zayn despertava em mim eram perigosas demais para que eu dissesse qualquer coisa sem parecer leviana. Ele aceitou meu silencio e depois de alguns minutos, pude ouvi-lo ressonar, calmamente, enquanto eu fechava os olhos. A confusão em minha mente se apaziguou, mas eu sonhei com olhos castanhos. Só não saberia dizer a quem os olhos brilhantes pertenciam. Se àquele a quem eu amava ou àquele a quem eu desejava.


Confusão ne?? Oque sera que vai acontecer depois disso tudo?? #Rafa

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