sábado, 2 de março de 2013

Nós-- Cap.9



O som me era tão familiar que eu nem sequer me levantei da cama para apurar o que estava acontecendo. Era tão natural ouvir os vizinhos brigando que eu nem me importava mais. 
Mesmo com o sol ainda começando a despontar no horizonte, eles já haviam começado mais uma discussão. Normal. Eu já estava começando a ficar habituada com aquilo.
Noite passada eu dera um mínimo de troco com Liam.
E de repente foi como se os gritos finalmente ficassem claros para mim.
Eles estavam abafados não porque haviam uma parede me separando deles, e sim porque as duas pessoas que gritavam uma com a outra estavam tentando fazer o mínimo de ruído possível mas o ódio não permitia.
Não eram os meus vizinhos que gritavam um com o outro. Eram Zayn e Liam.
Enrolei meu corpo ainda nu em um lençol que arranquei às pressas da cama e corri para perto da porta de acesso à sala, onde os dois membros do One Direction estavam parados, se encarando, no momento, prontos para partir para agressão física se fosse necessário.
- Eu avisei, Zayn. Fique longe dela.
- Se você se importasse mesmo, Payne, ela não teria me procurado da primeira vez. E ela não teria se deixado seduzir da segunda.
O silencio reinou novamente na sala e eu estiquei o pescoço, tentando ver o que estava acontecendo. Liam estava a centímetros de Zayn e eu podia sentia a tensão no ar de uma forma palpável.
- Ela vai ficar comigo. Não importa o que você tente. Ela me ama.
- Por que não deixa que ela mesmo responda se isso é verdade ou não? – Zayn propôs com um sorriso totalmente maldoso. – Sexo e um bichinho de pelúcia não vão ser o suficiente para mantê-la ao seu lado.
- Você não sabe... – Liam ia gritar, mas voltou atrás, sussurrando ameaçadoramente para não me acordar, sem saber que eu já estava acordada e ouvia tudo o que eles diziam. – não sabe o que está falando.
- Não? Liam, você deu mais importância para qualquer coisa que não fosse (s/n) e ela esteve ali, tentando ter a sua atenção. Tentando te mostrar que ela te amava e que precisava de um pouco mais de tempo com você.
- O filho é meu, Zayn. Não tem nada para você aqui.
- Será? – as sobrancelhas de Zayn se ergueram, dando ainda mais sarcasmo às suas palavras. Eu estava com medo de que eles pudessem se tornar físicos e entrarem numa real briga de socos, por isso saí do meu esconderijo e adentrei a sala, fazendo os dois homens pararem de se encarar e se voltarem para mim, nervosos.
- (s/n)... – os dois disseram ao mesmo tempo e eu ergui a mão, impedindo que qualquer um dos dois continuasse o que quer que tivessem a dizer.
- O que você está fazendo aqui, Zayn? – perguntei, me virando primeiro ao moreno à minha esquerda que estava me encarando com delicadeza.
- Passei para verificar se estava tudo bem com você e o bebê. Saber se precisavam de alguma coisa.
Sorri genuinamente. Zayn estava levando à sério a tarefa de ser um bom pai, mas havia Liam e outros diversos poréns naquela situação.
- E você, Liam? – foi a vez de me virar para a direita, vendo o sorriso convencido no rosto dele ao confessar que ainda não havia voltado para casa, da noite anterior, sentindo um prazer pessoal quando viu a careta que Zayn fez ao saber da informação.
- Com ciúmes, Malik?
- Não se garantiu com palavras e teve que usar outros métodos de persuasão? Eu esperava mais de você, Payne.
Os dois voltaram a se encarar com poucos centímetros de distância entre eles e somente depois que eu pigarreei, ele se afastaram, tomando alguns passos de distancia um do outro, mas deixando bem claro que estavam prontos para a ação física, se fosse necessário.
Droga, não era assim que deveria ser.
Por que as coisas tinham de ser tão mais complicadas para mim?
- Eu odeio que isso esteja acontecendo. Sinto muito aos dois. Eu não queria destruir a amizade de vocês e nem colocar nenhum de nós três nessa situação. Mas aconteceu e infelizmente precisamos dar um jeito.
- Sim, você vêm morar comigo e está tudo resolvido.
Liam avançou com os punhos para cima, pronto para certá-los na face de Zayn e eu não esperei nem um segundo sequer para entrar em sua frente, impedindo que ele concluísse o que tinha em mente.
- Não tem nada resolvido aqui. De lado nenhum. – eu disse.
Puxei o lençol mais para cima, impedindo que qualquer um dos dois visse mais do que devia, mesmo que já tivessem visto bastante em outras ocasiões.
- Se esse filho for meu... – Liam começou e foi cortado por mim.
- Eu não sei quem é o pai dessa criança e antes mesmo que comecem a brigar, quero que saibam que eu vou criá-la sozinha e que agradeço o apoio de vocês, mas eu estou ótima sozinha.
- O quê?
- Como assim? Está louca? Você mora de aluguel na periferia, está trabalhando num café de segunda classe, está se alimentando mal e ainda acha que pode dar conta sozinha?
Liam não queria dar o braço a torcer, mas lançou um rápido olhar para Zayn concordando com o que ele dizia. Ambos não estavam de acordo com o meu novo estilo de vida. E eu não poderia estar me importando menos para o que eles pensavam.
Desde que eu começara a namorar Liam, a coisa que mais irritava em todo esse mundo de popstar mundialmente famoso era o fato de que Liam achava que isso era razão o suficiente para que ele gastasse montes de dinheiro comigo.
Sapatos, bolsas e até mesmo um carro, me foram dados de presentes. Talvez uma forma que Liam tinha encontrado de fazer a culpa de não estar 100% presente comigo doer menos intensamente. Mas eu não estava com ele pelo dinheiro ou pela fama. Eu estive com Liam por todo aquele tempo porque eu o conhecia. Eu sabia o homem encantador e gentil que Liam era. O cara engraçado que cantava Nicki Minaj no chuveiro. O companheiro que fazia compressas de água morna em minha barriga quando eu sentia cólica.
Não tinha nada a ver com dinheiro. Nunca teve.
E aquela era a minha chance de mostrar para mim mesma que eu podia me virar sem a ajuda de ninguém. Pela primeira vez na minha vida. Eu tinha um trabalho, um apartamento e estava cuidando de tudo muito bem. E se a minha geladeira estava vazia era porque eu estava comendo muito e não tinha tempo de abastecê-la novamente, e não porque não tinha dinheiro ou comida.
- Eu estou bem, obrigada. – afirmei.
- Não está. Precisa de cuidados. E essa criança precisa de um pai. Por mais que você não queira que eu... – Liam começou e ante um olhar firme e persuasivo de Zayn, completou – ou Zayn, façamos parte da sua vida, esse bebê não pode crescer sem uma figura paterna.
Os dois não pareciam se cansar de querer decidir a minha vida por mim, como se eu não tivesse nenhuma vontade própria e devesse obedecer tudo o que eles decidiam para mim.
- Quando a criança nascer, eu pensarei nisso.
- E se a sua bolsa romper quando estiver sozinha em casa? Aqui? A quilômetros de um hospital? Quem vai te levar?
Aquela pergunta realmente me pegou de jeito e Zayn sorriu de lado quando notou que eu não tinha uma resposta para a sua pergunta, o mesmo sorriso que Liam estampava, do meu outro lado, contente por ter me deixado sem uma resposta.
- Eu posso ligar pra minha mãe, chamar uma ambulância, não sei! Eu darei um jeito. – respondi já irritada. Eles queriam me fazer perder a paciência, mas não conseguiriam. Eu estava determinada em não sair daquela casa por nada no mundo. Eu tinha um emprego do qual eu gostava e um apartamento que eu mesma conseguira. Seria preciso mais do que dois homens brigões para me tirar dali.
- Seja racional, (s/n).
- Sejam compreensivos. Vocês estão me forçando a fazer algo que eu não quero. Estão me forçando a tomar uma decisão entre um dos dois. Pedindo para que, antes mesmo que essa criança nasça, eu já decida quem será o pai dele. Parece justo para vocês?
Encarei Liam e depois Zayn. Ambos estavam de cabeça baixa, percebendo finalmente o que estavam fazendo, na ânsia de me forçar a decidir coisas que eu ainda não tinha cabeça para decidir.
- Eu sinto muito, mas acho que eu preciso ficar sozinha agora.
Liam e Zayn andaram até a porta e de repente Zayn se voltou de uma vez para mim, me encarando com seus olhos escuros e misteriosos, que agora brilhavam animados e cheios de promessas assustadoras.
- O que tem de tão especial nesse bairro? Nesse emprego? Nesse apartamento?
Olhei em volta enquanto Zayn gesticulava para todo o meu pequeno imóvel. Ele estava limpo e bem decorado. Não tinha nada demais com ele.
- Eu gosto daqui, gosto do meu emprego.
O sorriso de Zayn aumentou ainda mais e Liam o olhou assustado. Seja o que fosse que passava na cabeça de Zayn naquele momento, ainda não havia chegado à Liam. O terror em seus olhos, por estar perdendo algo que poderia ser vital naquela imbecil competição que os dois inventaram, era notável e me deu pena.
- Eu não posso deixar você sozinha aqui, (s/n). E não vou.
- O que vai fazer?
A pergunta saiu ao mesmo tempo da minha boca e dos lábios de Liam.
- Eu estou vindo morar com você.
A confusão em meus olhos devia ser óbvia. Como diabos o popstar internacional Zayn Malik sairia do conforto de sua enorme e aconchegante mansão para morar em um bairro de classe baixa no subúrbio. Ele não devia estar raciocinando bem.
- Não tem a necessidade e nem motivo para fazer isso, Zayn.
- Como não? A necessidade de estar perto de você para acompanhar cada passo dessa gestação, como um bom pai deve fazer, não conta? Você e esse bebê são a minha razão para qualquer passo que eu der daqui para frente, (s/n).
Meus olhos se encheram de lágrimas como quiseram fazer quando, horas mais cedo, Liam dissera que agora éramos uma família.
Eu não podia dizer nada à Zayn, eu só conseguia encarar Liam que mantinha o olhar fixo no chão, como se temesse encarar Zayn ou eu.
- Se o Malik vem, eu estou vindo também?
- O quê? – dissemos eu e Zayn em uníssono.
- Isso mesmo. Se ele vem, eu virei. – Liam se aproximou e tocou meu rosto com delicadeza, fazendo o rosto de seu ex-amigo corar de raiva. – Você deve estar com medo de que eu não seja um bom pai, é por isso que quer criar essa criança por você mesma, então eu ficarei ao seu lado, durante toda a sua gravidez para que eu possa te mostrar que eu posso ser um bom pai.
Afastei dois passos, voltando para a porta do quarto, observando-os calculadamente. Eles eram loucos. Eles haviam perdido de vez a sanidade depois de passar vários anos escutando milhões de fãs histéricas gritando em seus ouvidos.
Mas a determinação nos olhares castanhos dos dois me dizia que eles não sairiam dali enquanto eu não concordasse com aquela palhaçada.
- Como assim?
- Simples, (s/n). Estamos vindo morar com você.
E se as coisas não estavam confusas, agora elas haviam saído, definitivamente, do controle. 

Que isso ?? Eles vao morar com ela agora?? E agora?? #Rafa

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